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Outubro Rosa: o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres

Outubro Rosa: o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres

11:06 03 outubro em ASSPROM, Noticias
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Entrevista exclusiva com Annamaria Massahud – vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Minas Gerais (SBMMG)

O que é o câncer de mama?

O câncer de mama é uma neoplasia maligna, ou seja, uma lesão tumoral, que cresce em qualquer órgão, neste caso, na mama, e possui características que fazem com que ela possa se espalhar para outros órgãos. Então, o câncer basicamente é uma lesão que pode dar metástase.

E o que é a metástase?

A metástase é exatamente quando o câncer cresce em um órgão diferente do qual ele começou. O câncer de mama pode se espalhar para os linfonodos, na região das axilas. Neste caso, é chamada de metástase regional. Há, também, as metástases sistêmicas, que na maior parte das vezes, seguem para ossos, fígado, pulmão ou cérebro. Essas são os principais riscos de metástase do câncer de mama. Então, o câncer de mama é uma doença maligna, que pode causar a morte por causa da metástase. O câncer não mata na mama, pois na mama conseguimos retirá-lo. Mas, se ele passar para outros órgãos, pode atrapalhar as funções desses órgãos e, se for um órgão vital, a pessoa pode morrer por causa disso.

O autoexame é a melhor forma de detecção da doença em estágio inicial?

Não. A melhor forma de detecção da doença em estágio inicial, na atualidade, é a mamografia. Ela é indicada para mulheres a partir dos 40 anos de idade, independente de ter sintoma ou não. No autoexame, a pessoa só vai perceber algum caroço quando ele estiver com um centímetro. Em muitos casos, dependendo da posição do nódulo, da consistência ou do tamanho da mama, a mulher não conseguirá perceber nódulos pequenos apenas se apalpando. E, dessa forma, poder ser que ela descubra a doença, somente, em estágio avançado. Dados apontam que a maior parte dos cânceres diagnosticados no Brasil são avançados e se encontram em estágio 3 ou 4. Infelizmente, grande parte das mulheres, que utilizam a rede pública de saúde, fazem somente o autoexame e não fazem mamografia. Se todas fizessem mamografia teríamos uma detecção precoce e com a detecção precoce, a chance de cura é muito maior.

Se a mulher fizer o autoexame e perceber um caroço no seio, o que ela deve fazer?

Quando a mulher percebe uma alteração na mama, ela deve procurar o médico. A principal alteração é o nódulo. Mas, existem outras alterações como a pele da mama que fica mais enrugada ou avermelhada, ou o mamilo que começa a se retrair ou apresenta algum tipo de secreção sanguínea. Quando se chega nesse ponto, o ideal é fazer a mamografia diagnóstica. O exame de imagem serve para detectar se aquilo que a mulher percebeu na mama tem alguma representação na imagem. E, a partir daí, ver quais os procedimentos serão adotados, de acordo com cada lesão.

Qual o profissional que ela tem que procurar neste caso?

O ideal é que se procure o mastologista, que é o médico da mama. Se a mulher não tiver um mastologista, deve procurar o ginecologista. Nos locais onde não há nem mastologista e nem ginecologista, a mulher deve procurar o médico da família. Em alguns países europeus e no Canadá, onde a medicina é bastante estatizada, a pessoa procura pelo médico de família, e ele encaminha para o especialista. No Brasil, no Sistema Único de Saúde (SUS), o primeiro contato é feito no posto de saúde, depois, a mulher é encaminhada para um mastologista.

Por que as mulheres ainda são resistentes a fazer o autoexame? 

É bom deixar bem claro que o autoexame não é recomendado e não reduz mortes. Porque a doença, quando diagnosticada pelo autoexame, nem sempre está em estágio inicial. No geral, as mulheres não sabem apalpar as mamas da forma correta e, por isso, dificilmente, vão detectar o tumor em fase inicial. Existe também a questão cultural, muitas mulheres se sentem incomodadas ao se apalparem. Além disso, existem as que por medo de perceber algo, preferem não se apalpar. Apesar de ser um equívoco, muitas pessoas, por medo, não querem encontrar o tumor, como se a doença fosse sumir só porque não foi encontrada. É por isso que muitas mulheres só começam o tratamento quando a doença está em estágio avançado.

E existe uma idade ideal para começar a fazer o autoexame?

Por não ser recomendado, não existe uma recomendação de idade para se fazer o autoexame. Mas, não deixa de ser um cuidado com o corpo. A partir do momento que a mulher se conhece e que não tem vergonha de si, ela se olha no espelho, vê o próprio corpo e percebe as diferenças que aparecem. Da mesma forma, que se percebe uma pinta nova, ou o cabelo branco, ou uma ruga nova, também se percebe que a mama está diferente. O autoexame, ainda, pode gerar um outro problema, isso porque, no período pré-menstrual, a mama fica mais densa e apresenta áreas endurecidas e se a mulher faz o autoexame e percebe alguma coisa diferente, acaba ficando estressada desnecessariamente. Considero que a pessoa deva fazer o exame clínico, com algum profissional treinado para isso.

Para fazer o exame clínico, existe uma idade ideal?

A partir dos 30 anos, essa é a idade ideal. Não que essa seja a idade de começo de doença, pois, geralmente, o câncer de mama é uma doença prevalente em mulheres depois dos 50, mas, a partir dos 30, recomenda-se que quando ela for ao médico, seja examinada com mais atenção cuidado.

Qual a importância do diagnóstico precoce?

A intenção de se fazer uma mamografia ou o autoexame é para se descobrir a doença em fase inicial, na qual a mulher pode ser tratada e curada. Diferente da hipertensão ou da diabetes, o câncer é uma doença crônica que pode ter cura. Por isso, o diagnóstico precoce é muito importante para se detectar a doença no estágio inicial, fazendo com que não só o tratamento seja menos agressivo como a chance de cura seja maior. A chance de cura, quando a doença é detectada no estágio 1, é de cerca de 95%. Esse percentual reduz bastante quando o câncer é detectado nos estágios 3 ou 4.

Por isso, assim que a doença for diagnosticada, é preciso que a mulher procure o especialista o quanto antes.

O câncer de mama continua sendo o tipo mais comum entre as brasileiras? E entre as mineiras?

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres, ou seja, é a neoplasia mais comum entre as mulheres e ele ainda é o que mata mais. O Câncer de colo do útero era o mais frequente, com a vacina do HPV houve uma diminuição desse tipo de câncer. Nas regiões mais pobres, o câncer de colo ainda é o tipo que prevalece. No entanto, na região Sudeste, o câncer de mama continua sendo o mais incidente, assim como nos países desenvolvidos.

Qual é a taxa de mortalidade feminina por câncer de mama no Brasil e em Minas?

No geral, a taxa de mortalidade é de cerca de 25%. Mas, depende do estágio da doença. No estágio 1, essa taxa cai para apenas 5%. Então, se tiver mais pessoas sendo diagnosticadas no estágio 1, a taxa de mortalidade do câncer vai ser muito menor.

Existem fatores de risco?

Sim. Existem fatores de risco. O principal é a pessoa ser mulher. A gente sabe que 99% dos casos do câncer de mama acometem mulheres. O outro fator de risco é a idade. Quanto mais velha for a pessoa, mais risco ela terá de desenvolver a doença. Outro fator é o risco hereditário. Em algumas famílias, a mulher nasce com a predisposição de desenvolver a doença. Existem outros fatores, que podem estar relacionados ao desenvolvimento do câncer, como obesidade após a menopausa, a primeira menstruação acontecer muito cedo ou a última após os 55 anos, mulheres que fazem reposição hormonal e o uso de alguns tipos de anticoncepcionais orais. Além disso, o etilismo, pois qualquer quantidade de bebida alcoólica ingerida aumenta o risco de incidência de câncer de mama. O ideal é que a pessoa consuma, no máximo, sete doses de bebida alcoólica por semana.

Alimentação e práticas de atividades físicas podem ser preventivas?

A atividade física é sim uma forma de prevenção do câncer de mama, pois ela ajuda a equilibrar os níveis hormonais, previne o envelhecimento precoce das células, melhora o sistema imunológico e mantém o peso saudável. O recomendado é que se faça pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana, como uma caminhada por exemplo. Quanto à alimentação, não existe nenhuma restrição ou indicação específicas para prevenir o câncer de mama. Uma boa alimentação faz parte é um cuidado geral com saúde.

Quais são os direitos da paciente com câncer?

As mulheres vítimas de câncer têm alguns direitos como auxílio-doença e isenção de IPI (para adquirir carro). Assim como vários pacientes portadores de doenças graves, a mulher tem direito a não pagar o imposto de renda sobre sua aposentadoria. Além disso, ela pode sacar parte do FGTS e do PIS-PASEP. E vale ressaltar, que as mulheres portadoras de câncer são asseguradas por lei a iniciarem o tratamento em até 60 dias e elas têm o direito à cirurgia reparadora da mama pelo SUS.

O Outubro Rosa começou em 2002, no Brasil. Nesses 16 anos de campanha, pode-se falar que as mulheres estão mais conscientes sobre a prevenção?

Sim, as mulheres estão bem mais conscientes. Não só por causa da campanha, mas, também, por causa da ampla divulgação nos meios de comunicação e na internet. O Outubro Rosa fez com que as pessoas se lembrem que a doença existe, é um aviso para a pessoa se cuidar e procurar fazer a mamografia. Neste ano, a campanha da Sociedade Brasileira de Mastologia terá como tema ‘mais acesso para celebrar a vida’. Ou seja, quanto mais acesso a mulher tiver à informação, às leis, ao tratamento e ao diagnóstico, mais ela vai poder se divertir, trabalhar, viajar… Quanto menos burocrático for o acesso a tudo que ela tem direito, mais ela vai poder viver plenamente.

Quais os principais mitos sobre o câncer de mama?

São vários. Existe o mito do desodorante e do sutiã que causam câncer de mama. O mito do “quem procura acha”, no qual as pessoas acreditam que fazer o exame de prevenção (mamografia) faz ‘aparecer’ um câncer. Outro pior, se a mulher deixar o tumor lá e não ‘mexer’ não acontecerá nada. Mas, se ela buscar o tratamento, o câncer se espalhará. Algumas pessoas afirmam o seguinte: “eu tinha um tumor pequenininho e depois que fiz uma biópsia ele cresceu”. Isso não passa de mito, pois o tumor cresceria de qualquer jeito. O que ocorre, na verdade, é que a partir do diagnóstico, a mulher passa a prestar mais atenção na mama.

Para finalizar, qual o principal conselho para as mulheres?

O Brasil tem quase 60 mil casos de câncer de mama por ano. Por isso, é preciso que as mulheres procurem o mastologista, que é o especialista na saúde da mama. Isso significa que ele vai cuidar da prevenção, da investigação, do tratamento e da cirurgia de reparação da mama. Atualmente, as cirurgias não são mais mutiladoras. Há a possibilidade de reparação com cirurgia plástica, mesmo para as pacientes que fazem mastectomia.

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