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Notícias falsas disseminadas nas redes sociais apresentam riscos à sociedade

Notícias falsas disseminadas nas redes sociais apresentam riscos à sociedade

12:30 04 outubro em ASSPROM, Noticias
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As fake news viraram um grande problema em todo mundo. Notícias falsas sobre todos os assuntos são compartilhadas, por milhares de pessoas, na velocidade de um click e afastam o leitor da veracidade dos fatos. Entrevistamos, com exclusividade, o coordenador de Comunicação do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE/MG), Rogério Tavares, e a a repórter da Rádio Itatiaia, Edilene Lopes, que abordaram a importância da checagem das informações e da necessidade de se combater as fakes news.

ROGÉRIO TAVARES

1. O que são as fake news?

As fake news são notícias falsas ou boatos, que são espalhados por diversos meios, principalmente digital. Essa prática de espalhar boatos e notícias falsas, no período das eleições, já existe há muitos anos. Antigamente, eles eram espalhados pelo meio impresso. Dois ou três dias antes da eleição, eram distribuídos folhetos anônimos, nos quais os candidatos eram difamados. Então, o fenômeno das fake news não é novidade no processo eleitoral. O que é novo é o enorme alcance que elas têm por meio das redes sociais.

2. O que a justiça eleitoral tem feito para tentar diminuir o impacto das fake news nesse período eleitoral?

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou uma comissão específica para cuidar desse assunto. Foram feitas diversas reuniões com os atores do processo eleitoral, como partidos políticos, marqueteiros, empresas de comunicação e representantes da sociedade civil, para que houvesse um compromisso de todos na prevenção e no combate a essa prática nociva ao processo eleitoral. O TSE conta com a mobilização coletiva para evitar que a proliferação das notícias falsas influencie as eleições deste ano, como já aconteceu, recentemente, em outros países. Vale lembrar que a Justiça Eleitoral, por meio dos meios de comunicação e de suas redes sociais e sites, tem alertado a população. O mote adotado e divulgado pelo TSE e TREs é ‘na dúvida, não compartilhe’. Ou seja, se o usuário de uma rede social, inclusive de WhatsApp, tiver dúvida sobre alguma informação recebida, o apelo que fazemos é para que não se compartilhe, pois quanto mais isso é multiplicado, mais nocivo pode ser para o processo eleitoral.

3. Por que as pessoas tendem a acreditar em determinadas informações, mesmo quando não são comprovadas como fatos concretos?

No processo político eleitoral, as pessoas são muito influenciadas pelas bolhas nas quais estão inseridas. Elas estão convencidas de que o candidato X é o melhor e de que o candidato Y tem muitos defeitos. Então, todo tipo de informação recebida, que confirme que o seu candidato é o melhor e o outro é o pior, a pessoa irá compartilhar. As pessoas têm dificuldade de acompanhar os fatos de forma mais neutra e demonstram pouca abertura para percepções diferenciadas sobre o que ela já definiu como certo e errado.

4. Como podemos identificar as fake news?

Há várias formas de identificação de fake news que os usuários podem adotar. Primeiramente, é observar os títulos das notícias. Quanto mais sensacionalista for o título, mais ele tende a ser de uma notícia falsa. Outro ponto a ser observado, é a fonte de informação. De onde ou de quem a pessoa recebeu aquela informação? Tem credibilidade? Um terceiro ponto fundamental é que a pessoa leia todo conteúdo da notícia e observe a data de publicação, isso porque as pessoas estão compartilhando notícias de 2, 3, 6 anos atrás e, muitas vezes, aquela informação já foi superada pelo tempo ou já houve mudança naquela realidade. Por não observarem a data, elas nem percebem que estão compartilhando algo ultrapassado. Um outro ponto a se observar é a URL (o endereço do site que está identificado na Internet), nem sempre o endereço que está descrito corresponde de fato ao órgão ou ao veículo de informação. Muitas vezes, são criados endereços forçados, nos quais se insere uma letra diferenciada, para que as pessoas pensem que a informação veio de um órgão X. É preciso checar a notícia recebida em sites de maior credibilidade, como de empresas jornalísticas, e de órgãos oficiais.

5. Qual o impacto das fake news nas eleições 2018 no Brasil?

Não há uma avaliação clara sobre isso e acredito que a própria Justiça Eleitoral vai ter dificuldade para fazer isso, pois aqui não é um órgão de análise de cenários. Provavelmente, cientistas políticos e jornalistas vão se debruçar sobre esse fato após a eleição porque é muito difícil fazer uma análise objetiva dos fatos no decorrer do processo. O que é possível de se perceber é que alguns órgãos de imprensa têm serviços de checagem, e esses são importantes como forma de se contrapor a essa prática nociva. Mas, neste momento, ainda não existe a possibilidade de saber qual o impacto que as fakes news causam na percepção do eleitorado ou se podem afetar os próprios resultados das eleições.

6. Qual o papel do eleitor nesse processo?

Eu acho que as pessoas devem ter responsabilidade ao atuarem nas discussões que acontecem pelas redes sociais, como WhatsApp. Elas precisam ter responsabilidade enquanto eleitores e cidadãos para não atuarem de uma maneira pouco ética. Não que as pessoas não devam discutir eleição, mas elas devem discutir a partir de critérios mais éticos e responsáveis e não multiplicando coisas sobre as quais elas não têm certeza. É bom lembrar que a Justiça eleitoral também é alvo das fake news. Existem as falsas notícias sobre a credibilidade da votação eletrônica e sobre os prazos de biometria, e reforço que, antes de acreditar, a pessoa deve buscar a informação verdadeira em todos os órgãos das Justiça Eleitoral, por meio dos sites, redes sociais institucionais e do Disque Eleitor – 148, para que ela não embarque nas falsas notícias sem que essas sejam checadas.

 

EDILENE LOPES

A sociedade tem expressado preocupação acerca da enorme quantidade de informações falsas circulando, principalmente, nas redes sociais. O que fez com que essa onda de notícias falsas, conhecidas por fake news, represente um risco à sociedade?

As fake news representam, sim, um risco à sociedade. Acredito que elas preocupam não só o Brasil, mas o mundo todo. Hoje, infelizmente, quem quiser pode ‘inventar’ uma notícia e publicar nas redes sociais. Saber identificar as notícias falsas é essencial para manter uma relação de confiança e credibilidade no mundo real e virtual. O que não é verdade sempre prejudica o coletivo. Ao compartilhar fake news, a pessoa contribui para a disseminação de uma mentira, que pode prejudicar outra pessoa ou um grupo. Dependendo da informação errada que for compartilhada, pode-se trazer danos a processos eleitorais, saúde pública, segurança, integridade física e moral de pessoas.

As redes sociais tornaram-se uma fonte de conteúdos. Como podemos distinguir o que vale ou não a pena ser compartilhado?

A pessoa só saberá se aquilo vale ou não a pena, quando souber se é verdade ou não. Se ela consultar fontes diferentes, incluindo veículos com linhas editoriais diferentes, ela terá uma visão ampla sobre o fato. É importante reforçar que antes de replicar uma informação ou acreditar que aquilo é verdade, é preciso verificar. Com o crescimento das redes sociais, os veículos de comunicação começaram a ter um papel importantíssimo, pois eles passaram a checar a veracidade das informações. Atualmente, já existem agências especializadas em checar notícias falsas, como as agências Lupa e Aos Fatos, e, também, o site Boatos.org, que já é famoso por desvendar farsas. Por isso, antes de compartilhar uma informação, qualquer pessoa deve se fazer duas perguntas: “essa notícia está sendo transmitida por veículos de imprensa?” e “são veículos com credibilidade?”.

Qual é a melhor maneira de combater as notícias falsas?

Checando as informações. As pessoas têm sempre que procurar saber o que os grandes veículos estão dizendo e checar nas agências ou canais, que fazem esse trabalho. Além disso, ninguém gosta de discutir informações falsas. Isso é uma perda de tempo e quem compartilha, sem prestar atenção ou sem saber direito, perde, inclusive, a razão quando é desmentido. Essa pessoa pode ficar tachada como aquela que não confere a notícia antes de repassar ou aquela que só envia fake news.

Como a população pode combater a proliferação das fake news?

A primeira coisa é ter um olhar crítico sobre tudo. Se as pessoas evitarem compartilhar aquilo que não têm certeza, já é uma forma de contribuir. É preciso saber a veracidade da informação para compartilhar. As pessoas podem se perguntar se a informação está estranha, ou se é exagerada, ou se parece mentira. Se a resposta for sim, ela deve conferir a veracidade.

É importante ampliar o debate sobre as fake news?

Sim. É recorrente escutarmos se as fake news serão ou não tema da redação do Enem. Vocês da Assprom devem ter trabalhado este tema com os adolescentes. Parece que foi cogitado no ano passado e sempre quem trata de notícias relacionadas ao Enem, elenca fake news como um possível tema da atualidade a ser tratado. Isso é muito bom, pois mostra a importância de se discutir o assunto. As fake news configuram um mal social e está presente na formação de opinião, no que as pessoas absorvem para poder debater, e no que elas absorvem para a vida. Por isso, o tema é importante, é relevante e deve ser debatido por todos nós.

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